A vingança da galinha e a burrice da raposa

O Leão, o rei dos animais, chamou certo dia à sua presença, a galinha e a raposa, a fim de resolver de uma vez por todas os problemas entre as duas.

A raposa, tão logo recebeu a notificação, aflita correu a casa da galinha, para que juntas atendessem à vontade do chefe.

A galinha, vendo ao longe a raposa se aproximando, escondeu a cabeça embaixo da asa, e quando a inimiga chegou perto disse-lhe:

– Você sabe que temos que ir falar com o Soba, e ainda está com a cabeça? É uma grande falta de respeito, nos apresentarmos ao nosso chefe com cabeça!

A raposa, perplexa, respondeu que não tinha conhecimento de tal costume, mas que a galinha lhe dissesse rápido como cortar a cabeça, para não fazer o Leão esperar.

A galinha explicou-lhe:

-Você corre até sua casa e pede ao seu marido para pegar um machado bem afiado e lhe cortar o pescoço, e depois vem para cá que eu fico esperando. E não fique com medo, porque depois, quando voltarmos para casa, os nossos maridos colocam-nos de novo os pescoços no lugar e voltamos a ser como antes.

A raposa mal escutou isto, foi a correr a casa, e pediu ao marido que lhe cortasse o pescoço com o machado mais afiado.

O marido da raposa achou muito estranho, e inclusive pensou que ela tinha enlouquecido de vez; mas como a raposa insistisse com toda a veemência, e lhe explicasse o recente encontro com a galinha, estando já esta com a cabeça cortada, e sobre a falta que representava apresentar-se ao superior assim com a cabeça no lugar, decidiu-se.

Pegou o machado, mandou que a raposa ajeitasse a cabeça numa pedra, e de um só golpe, decepou a mulher.

A galinha, que tinha seguido a raposa, e de longe assistiu a toda a cena, tão logo viu a raposa morta, foi a correr a casa do Leão, a quem, fingindo indignação, contou o que tinha visto em casa da raposa, quando para lá se dirigiu, a fim de a chamar para juntas irem à audiência real.

O Leão, realmente indignado, mandou logo prender e expulsar tão cruel marido, indigno do convívio daquele povo.

Assim a galinha se vingou dos sustos e humilhações que a raposa sempre lhe infligira.

Moral da história: “Os fracos e os humildes, quando têm oportunidade, também se vingam”.

(Conto Tchokwe)

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